domingo, 1 de novembro de 2015

Público confia nos jornais Imprensa escrita é confiável Pesquisa da FGV aponta que a confiança dos leitores em meios impressos cresceu de 44% a 47% no 1o semestre ________________________________________

Os brasileiros estão mais confiantes com a produção jornalística da imprensa escrita no País. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) o grau de confiança da população em relação às publicações impressas passou de 44% para 47% na relação entre o primeiro semestre deste ano e o mesmo período de 2014. Os dados são do Índice de Percepção do Cumprimento das Leis (IPCLBrasil), estudo eslaborado pela Escola de Direito de São Paulo da FGV, que procura acompanhar a percepção das pessoas sobre a importância de respeitar as leis e a credibilidade das instituições. 

De acordo com o levantamento, a imprensa escrita aparece em terceiro lugar, logo depois das Forças Armadas (67%, mesmo percentual da amostragem anterior) e da Igreja Católica (58%, índice também estável) e um pouco à frente do Ministério Público, que registrou queda de 48% para 43% no período. A imprensa escrita ficou à frente, também, das emissoras de TV, que avançaram de 33% para 34%. O Poder Judiciário, que oscilou positivamente no período analisado (de 30% para 31%), também ficou bem atrás do resultado da imprensa escrita. De acordo com a pesquisa, esse índice só é maior do que os níveis de confiança no Governo Federal (queda de 29% para 17% no período), no Congresso Nacional (recuo de 17% para 15%) e nos Partidos Políticos (redução de 6% para 5%). 

Confiança - Segundo o jornalista Thiago Barros, editor de O LIBERAL e professor da Universidade da Amazônia, a oscilação positiva no nível de confiança na imprensa escrita é consequência do impacto da avalanche de informações nas plataformas digitais de interação. “Atualmente, o público recebe uma avalanche de informações brutas pela internet e redes sociais, de fontes diversas e às vezes anônimas. O jornal impresso serve como um norte, por organizar esses fatos em narrativas compreensíveis, até didáticas. Sem contar com a credibilidade adquirida ao longo de décadas por esse meio de comunicação”, explica. 

Para o jornalista Edir Gaya, editor de O LIBERAL, a confiança na palavra impressa é uma construção histórica, algo que as práticas jornalísticas mais recentes ainda terão que consquistar. “Como diria Haroldo Maranhão, palavras o vento leva. Desde que Gutemberg inventou a prensa e imprimiu a primeira Bíblia, a confiança no papel impresso estabeleceu-se e moldou a era moderna”, diz Gaya. “Nada contra o avanço tecnológico, mas avalio que ainda vai demorar muito para que as pessoas transfiram a confiança da palavra impressa no papel para as mídias virtuais. Afinal, trata-se ainda de um meio volátil e suscetível a interferências e bugs”, diz o jornalista.

 De acordo com o jornalista Leandro Lage, editor de O LIBERAL e professor da Universidade da Amazônia, o aumento do indicador de credibilidade da população nos jornais impressos deve ser lido, na verdade, como uma elevação da credibilidade da própria imprensa frente aos níveis crescentes de desconfiança em relação aos Poderes Executivo e Legislativo. 

“É preciso ler esse índice em conjunto com os indicadores atuais de credibilidade das instituições políticas do País. Como a imprensa tem cumprido um papel democrático decisivo, especialmente na crise política que vivemos, é natural que as mídias jornalísticas preencham esse espaço de descrença como instituições compromeditas com valores e questões muitas vezes negligenciados pelos poder público”, explica. Leis - O indicador de legitimidade avaliou a opinião dos entrevistados quanto à importância de se obedecer à lei, aos policiais e aos juízes.

 Uma das conclusões a que se chegou é que 80% dos brasileiros reconhecem que é fácil desobedecer às leis no Brasil. Para 81%, sempre que possível, o cidadão brasileiro apela para o “jeitinho”. Por outro lado, 78% dos entrevistados consideram que alguém que desobedece à lei é mal visto pelas outras pessoas, enquanto 78% afirmaram que as pessoas têm a obrigação moral de pagar uma quantia à outra pessoa, mesmo que discorde da decisão, se a ordem partir de um juiz.

 Esse percentual cai para 46% se a ordem partir de um policial. Outra questão analisada no IPCLBrasil é o comportamento. Foi perguntado com que frequência os próprios entrevistados violaram determinadas condutas. O indicador é elaborado com base em dez situações diferentes, a partir das quais se pergunta aos entrevistados com que frequência tiveram esse comportamento nos últimos 12 meses. Alta credibilidade distingue imprensa escrita de outros meios O aumento da confiança dos brasileiros com a produção jornalística da imprensa escrita, apontado pela pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, reitera os dados de outros levantamentos recentes que mostram que os jornais representam a mídia de maior credibilidade do País, tanto pelo seu conteúdo jornalístico quanto publicitário. Essa é a avaliação do diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, que em entrevista a O LIBERAL, comemorou esse crescimento dos índices de confiança e avaliou o papel fundamental dos jornais nesse momento atual de turbulência na política e economia brasileira. 

 Como a ANJ avalia esse aumento da confiança da população brasileira com a Imprensa Escrita? Essa é mais uma pesquisa que aponta nessa direção. Diversas pesquisas recentes mostram o alto grau de credibilidade dos jornais. Essa é muito importante, porque também mostra um considerável aumento do ano passado para cá. Mas gostaria de lembrar ainda, para citar pelo menos mais uma, outra pesquisa recente da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), encomendada ao Ibope. Pelo segundo ano consecutivo, 2014 e 2015, a Secom realiza essa pesquisa chamada “Pesquisa Brasileira de Mídia”, que visa dar um panorama sobre os hábitos de consumo de mídia da população brasileira, que aponta os jornais, entre todas as mídias, como rádio, televisão, revista etc, como a mídia de mais alta credibilidade. 

Ou seja, os jornais são campeões de credibilidade no Brasil dentre todas as mídias. Isso mostra que os jornais são a mídia que o brasileiro mais confia, tanto no que se refere ao conteúdo editorial, jornalístico, como também no conteúdo publicitário. Ao contrário das Forças Armadas e da Igreja Católica, a Imprensa Escrita aumentou o seu grau de confiança nesse último semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Ao que se deve essa melhora nesse tempo? 

A nação brasileira tem acompanhado uma intensificação do trabalho de jornalismo investigativo, que cobre várias áreas. Certamente, suponho a relação de uma coisa a outra. É o trabalho mesmo que a imprensa tem feito das questões que interessam diretamente à vida das pessoas, as questões de corrupção, por exemplo. O momento de crise econômica e política por que passa atualmente o País contribuem para esse aumento de credibilidade dos jornais? Sim, as pessoas querem se informar em um momento como esse cada vez mais, cada vez melhor. É no jornal que o boato acaba.

 Hoje, no ambiente da Internet, que tem informações muitas vezes anônimas, as pessoas procuram a informação que foi produzida por uma marca jornalística de credibilidade para ter certeza daquilo. Então, eu faço essa relação.

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