domingo, 7 de setembro de 2014

PMDB e PT jogados na lama

Em delação premiada, ex-diretor envolve aliados da presidente Dilma em esquema de propina na Petrobras
Tema de capa da Veja desta semana...
________________________________________ 1 Estrelas do PMDB e do PT, que formam a base política da presidente Dilma Rousseff, são citadas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa como recebedoras de suborno do esquema da estatal, segundo a revista “Veja”. Na lista do delator estão os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB) e Henrique Alves (PMDB), os ex-governadores do Rio e de Pernambuco Sérgio Cabral (PMDB) e Eduardo Campos (PSB), morto no mês passado, e a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). 

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que aparece em outros episódios da investigação da Operação Lava Jato, foi citado por Costa como a ligação entre o esquema de desvio na Petrobras e o partido. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), e o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA) também são mencionados. A revista também traz como beneficiários de propina os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Cid Nogueira (PP-PI) e os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e João Pizzolatti (PP-SC). Os nomes foram revelados num acordo de delação premiada que Costa fez com procuradores da força-tarefa que cuida da Operação Lava Jato.

 O ex-diretor decidiu fazer a delação para tentar deixar a prisão, onde está há quase três meses. Se as informações que ele prestar forem relevantes para esclarecer outros crimes, ele pode ser solto. A operação foi deflagrada em março com a prisão do doleiro Alberto Youssef, acusado de liderar esquema de lavagem que movimentou R$ 10 bilhões. Costa é apontado como o chefe de um esquema de desvio de verbas da Petrobras no período em que foi diretor da estatal, de 2004 a 2012, nos governos de Lula e de Dilma Rousseff, ambos do PT. 

O doleiro cuidaria da lavagem do dinheiro para que o recurso chegasse aos parlamentares. A compra da refinaria de Pasadena, no Texas, sobre a qual o Tribunal de Contas da União já apontou uma série de indícios de superfaturamento, também envolveu o pagamento de suborno, segundo o relato de Costa. 

O ex-diretor da estatal já havia citado o nome do ex-governador Eduardo Campos, mas como testemunha de defesa, num ato que foi interpretado como o envio de um recado para os políticos de que outros nomes poderiam ser revelados. O advogado de Costa à época, Nelio Machado, escreveu numa petição que poderia solicitar a convocação de Lula e Dilma. Lula é apontado como uma espécie de protetor de Costa na Petrobras. 

Ele foi indicado ao cargo pelo PP, ganhou o apoio do PT e do PMDB, mas se sentia abandonado pelos parlamentares após ter sido preso pela primeira vez pela PF. O depoimento com os nomes terá de ser analisado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, porque os políticos têm foro privilegiado. Acusações também respingam na campanha do PSB de Marina Com o depoimento, Paulo Roberto Costa deixou os procuradores com a impressão de que o mecanismo de cobrança e partilha de propinas em contratos da Petrobras funcionou para políticos e partidos aliados ao governo como uma espécie de continuação do mensalão. 

As investigações já atingiram parlamentares da base governista e podem respingar também na campanha do PSB. Um dos principais focos da investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal são contratos de empreiteiras com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A refinaria foi o centro de uma queda de braço entre petistas e socialistas durante a criação de duas CPIs da Petrobras no Congresso Nacional no primeiro semestre. 

O PSB se opôs fortemente à inclusão das obras da refinaria entre os alvos de uma das comissões de inquérito. Durante uma década, Costa foi responsável direto por empreendimentos importantes da estatal. O maior foi o Abreu e Lima, em que a empresa gastou nove vezes mais do que previa inicialmente - depois de mais de uma centena de aumentos de preços nos contratos originais, a refinaria deverá ser inaugurada a um custo estimado em US$ 20,1 bilhões, recorde mundial no setor. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, todos os nomes dos políticos mencionados por Costa serão enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF).

 O procurador-geral não quis confirmar nomes e nem mesmo o número de políticos mencionados. Ele argumenta que o sigilo faz parte do acordo de delação premiada, que pode ou não ser mantido até o final da apuração das novas acusações. O relator do caso no STF é o ministro Teori Zavascki. Na primeira etapa da investigação, bem antes do início das negociações com Costa, o ministro decidiu abrir inquérito contra os deputados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA) e o senador Fernando Collor (PTB). 

Relatório da Polícia Federal aponta que os três receberam vantagens da organização de Youssef. Pelas investigações da polícia, Youssef pagou um voo em um jato para André Vargas. “Folha”: lista tem 12 senadores e 49 deputados Em reportagem publicada ontem, a “Folha de S. Paulo” afirma que teve acesso a documentos que ampliam a lista de envolvidos - na verdade seriam 12 senadores e 49 deputados. “Nos depoimentos, Paulo Roberto também esmiúça a lógica que predominava na assinatura dos contratos bilionários da Petrobras – admitindo, pela primeira vez, que as empreiteiras contratadas pela companhia tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo cujo destino final eram partidos e políticos de diferentes partidos da base aliada do governo”, aponta reportagem da revista “Veja”.

 Empresas laranjas intermediavam quadrilha Pelas investigações da Polícia Federal, empreiteiras com contratos com a Petrobras fizeram pagamentos suspeitos ao doleiro Alberto Youssef e a Paulo Roberto Costa a partir de transações com empresas laranjas. 

Ainda na primeira fase, a Receita Federal apontou o repasse de mais de R$ 90 milhões de empreiteiras com contratos com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, para a MO Consultoria, empresa de Youssef, entre 2009 e 2013.

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