quarta-feira, 24 de abril de 2013

DESAMADOS DO BRASIL



 ARTIGO


José Altino Machado
 Piloto bom de garimpo o Vié. Experiente, seguro e sério. Ecologista o danado, se é compatível. Criava dezenas de pássaros lá por suas terras em São Paulo. Licenciado pelo IBAMA acolhia os penosos alados apreendidos ou machucados.  A sua verdadeira paixão era ele mesmo voar. Amava os aviões, assim como viver e estar acima da magnífica floresta úmida que também vive na Amazônia.

 E já o fazia por anos e anos a fio, com segurança. Vai dia, vem dia, em seu honesto trabalho transportador abastecendo garimpos, sem o então inexistente GPS, até que foi abatido a tiros disparados por elementos de uma raivosa guarda Venezuelana, quando voava naquelas fronteiras. Um erro não mais de três kms. 

Ele e três garimpeiros sobreviveram aos tiros e à queda em plena selva. Recolhidos por tal força foram levados para o interior daquele País, onde Vié acabou assassinado durante o interrogatório. Uma confusão dos diabos. Todo o caso que podíamos criar, criamos. Aliados a uma cadeia nacional de televisão, encontramos destroços do avião furado como peneira em plena selva. A Venezuela negava tiros, derrubada e assassinato. Mas, ante tantas evidências entregou o queixo.

 Admitiu a cagada feita, embora não punisse ninguém. Lá no exterior, em viagem passeio – oficial, nosso Chanceler Rezek ao ser questionado pela emissora de TV de como ficariam as relações Brasil – Venezuela perante o acontecido e problema formado saiu-se com uma pérola que manchou a cidadania e a diplomacia brasileira: “ – Não tem problema, afinal era um pequeno avião com garimpeiros.” Disse isso num jornal nacional de abrangência total. 

Tais declarações causaram amargor e a única coisa boa que conseguimos foi sua pronta demissão pelo collorido presidente então. Entretanto, o que interessa é que até hoje não se sabe o por que e para que a cara diplomacia brasileira serve ao cidadão. Não só nesses tempos, também outros, a impressão causada é que existe tão somente para arranjar, ajeitar, e rodar tapetes para os governantes e “otoridades” em viagens pelo o exterior e nisso eles são bons para cacete. Haja “Honóris Causa”!!! Eu e outros bestas, maioria nacional, sempre imaginamos que seu pilar maior era a proteção ao cidadão brasileiro perante outros povos e forças do exterior, agora, nem mais nos horrorizamos. Ironicamente foi no berço dessa diplomacia que o Brasil tornou-se maior e agigantou-se com Rio Branco, nosso Barão. Hoje, só frescuras mil.

 Brasileirissímos no exterior têm sido tratados no cacete. Nossos próprios vizinhos prendem ou matam nossa gente e fica tudo por isso mesmo. Até a França o País da liberté, igualité e outra coisa que não lembro, estende cabos de aço submersos em rios de fronteira da sua Guiana conosco, proporcionando a muito patrício parar no fundo d’água e jamais voltando a tona. Itamaraty... nem tchun, afinal, como disse o anterior ministro defenestrado: -“problemas de gentinha”. Demonstrando sempre a continuada vergonha que sentem ao representar pobres, humildes ou fanáticos torcedores de futebol.

 E eu que tanto gosto de azul estrelado e nunca fui chegado a preto e branco, fico porém, embraveado com a situação vivida dos doze jovens que antes de corinthianos e fanáticos torcedores de um time chato pra cacete, estão aprisionados do no lado da fronteira, na poderosa, militar e economicamente, Bolívia. Isso aí são doze, quando o fatídico rojão sinalizador disparado no estádio e causador da tragédia o foi por apenas uma pessoa. Prova bastante, é que sendo o rojão menor que pinto de asiático, cabendo em tão somente uma mão, demonstra bem a individualidade de culpa do ocorrido. 

Ainda assim, bolivianos com sua justiça, detêm prisioneiras vinte e quatro mãos, e seus donos pregados a elas. Chantageiam com privação da liberdade a onze ou mesmo doze pessoas pela fatalidade em que apenas um, se entre eles, permitiu acontecer. E meio a eles alguns sequer adentraram ao campo esportivo. Se norte americanos fossem, que acharam os terroristas meio a multidão em Boston, a marinha deles, a grandiosa US-NAVY subiria aos Andes com seus navios para resgata-los.

 Mas, como brazucas, apátridas talvez, por lá ficam em fedida cadeia. Um absurdo jurídico em qualquer outro país, lei e justiça. É de se perguntar, até quando? Nossa Presidente Dilma (não Presidenta) tem dormido bem? Acho que sim. Pesadelos e inferno ficam para os familiares deles. Agravando para outros entendimentos, nosso atual Chanceler tem o sobrenome de PATRIOTA. E aí a desgraça fica maior e já é falta de amor. 

JOSE ALTINO MACHADO - Jornalista, Escritor

2 comentários:

  1. concordo totalmente, isso e brasil

    ResponderExcluir
  2. conheci vie no garimpo creporizão, engenheiro, gente muito boa, infelizmente aconteceu essa tragedia, rezo sempre por ele, Deus te ilumine sempre amigo.

    ResponderExcluir