domingo, 24 de junho de 2012

Amazônia fica fora do documento final

Conferência Recomendações da Rio+20 não citam a região em nenhuma das suas 49 páginas especial,

  A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, foi encerrada na última sexta-feira com opiniões divididas sobre o documento final, contendo 49 páginas, denominado "O Futuro Que Queremos". Autoridades brasileiras consideram um avanço a inclusão do desenvolvimento sustentável com erradicação da pobreza, enquanto movimentos sociais e alguns líderes estrangeiros condenam a falta de ousadia do texto. 

O tom de crítica passa por pontos abandonados no documento como, por exemplo, políticas para o aumento do acesso a água, energia elétrica, alimentos etc. Destes, a ausência mais lamentada pelos críticos do documento oficial foram das discussões sobre um modelo de desenvolvimento sustentável para a floresta amazônica, mesmo o Brasil tendo tomado o protagonismo nas discussões. "Quando a gente viu o primeiro rascunho do documento, e o que tinha de floresta nele, a gente achou um absurdo a ausência de um item tão importante como a Amazônia presente nesse documento. Porque vale lembrar que a Amazônia não é só árvore, a Amazônia é biodiversidade, é cultura, é gente. 

E a gente precisa de um modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia também. Além disso, também achamos um absurdo, até porque a gente já tem no Brasil vários exemplos de modelos de transformação para florestas tropicais, não terem aproveitado isso para discutir para outros países do mundo", reclamou Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace Brasil. "O que a gente viu aqui na Rio+20 foi um retrocesso tal, que tudo foi sumindo. 

E com isso sumiram com a floresta também, justamente no País que tem a maior floresta tropical do mundo. Então, isso coloca o Brasil em uma situação em que não exerceu liderança e também não exerceu um papel fundamental, que é de ajudar a avançar o debate. A Amazônia sai menor da Rio+20. Lamentável, porque se tem um lugar perfeito que a gente possa desenvolver um paradigma de desenvolvimento sustentável, esse lugar é a Amazônia", completou. Walmir Ortega, ex-secretário de Meio Ambiente do Pará e atual diretor da ONG Conservation International, também lastima a Amazônia ter tomado somente os debates na Cúpula dos Povos, espaço formado pela sociedade civil paralela à Rio+20. 

Mas, ao contrário do ambientalista do Greenpeace, ele não avalia a conferência como um fracasso. "O roteiro é sempre o mesmo. Toda vez que há um encontro desse nível, nós levamos a expectativa ao máximo. Temos sempre a esperança de que os grandes problemas serão tratados e as soluções serão postas na mesa. Infelizmente, construir consenso entre 190 países não é um processo que se dá dessa forma. Portanto, o roteiro é esse mesmo: muita expectativa no início e frustração no final", explicou. 

O Liberal ORM

Nenhum comentário:

Postar um comentário