domingo, 6 de maio de 2012

Promotores querem que Jordy seja investigado

Os promotores Lucinery Resende, Sandro Castro e Mário Brasil, do Núcleo de Violência Doméstica Contra a Mulher do Ministério Público do Estado, encaminharam, no final da manhã da última quinta-feira, expediente ao procurador geral de Justiça do Pará, Eduardo Barletta, solicitando apuração do episódio amplamente divulgado na Imprensa e mídias sociais essa semana, que mostra um diálogo do deputado federal Arnaldo Jordy (PPS) com Josiane, de 26 anos, onde o parlamentar incitaria o aborto de um filho seu que a jovem estava esperando.

Junto com o expediente foi encaminhado um DVD com o áudio completo da conversa de quase três minutos disponibilizado na tarde da última quarta-feira no site Youtube. No documento, os promotores deixam claro que o fato em questão retrata um típico caso de violência contra a mulher e, por essa razão, pedem ao procurador a investigação detalhada do fato. Por estar deputado federal no momento, Arnaldo Jordy possui foro privilegiado e só pode ser denunciado pelo procurador-geral de Justiça, Roberto Gurgel, e processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Caso Barletta julgue que há necessidade de apuração, encaminhará o pedido para a Procuradoria Geral da República, em Brasília. Caso Roberto Gurgel também julgar da mesma forma, ofertará denúncia ao STF. EM CHEQUE A revelação da conversa põe em cheque a polêmica trajetória política do parlamentar do PPS, que pauta sua vida pública pela defesa dos direitos humanos e no combate à violência contra mulheres e crianças mas que, na sua vida privada, estaria agindo ao contrário, incitando uma companheira a por fim à vida de um filho nascituro.

 Quando era deputado estadual, Jordy chegou a ser relator da CPI da Pedofilia na Assembléia Legislativa do Estado e ocupa atualmente uma suplência na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. A CPI da Pedofilia encerrou os trabalhos no final de 2010 e estranhamente excluiu o empresário Antônio Carlos Vilaça do relatório final pelo então relator Arnaldo Jordy. Em maio de 2010 a polícia do Pará chegou a prender Vilaça, apontado como o terceiro membro de uma rede de agenciadores de menores que atuava em Belém e Barcarena. Ele foi preso no aeroporto de Marabá. 

O empresário solicitava os serviços de um agenciador que conduzia as crianças para sua residência, o sítio Salarica, em Barcarena. Vilaça foi candidato a prefeito em 2008 no município, mas foi derrotado. É dono de um conglomerado de empresas de construção civil, mineração e transporte. Durante os trabalhos da CPI a imprensa local chegou a divulgar em várias ocasiões que Jordy teve um encontro com Vilaça num restaurante de comida italiana bastante tradicional da cidade.

 O então deputado estadual chegou a desmentir o tal encontro, mas pessoas que viram a cena confirmaram que o parlamentar estava em companhia do empresário. Na época, a assessoria do parlamentar justificou a ausência de Vilaça no relatório da CPI da Pedofilia porque a denúncia feita contra ele teria chegado até a CPI no período das investigações.

 CARAJÁS As possíveis contradições de Jordy se evidenciaram mais uma vez durante o último plebiscito que decidiria pela criação dos Estados do Carajás e Tapajós. Para seu eleitorado na capital, Jordy vestia a camisa anti-separatista, mas um vídeo no Youtube mostra que durante uma entrevista à TV Eldorado, retransmissora do SBT em Marabá, reduto divisionista, Jordy afirma: “Eu sou a favor da criação do Estado de Carajás”.

 (Diário do Pará)

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